Manter uma dieta restritiva por muito tempo é um desafio que muitos conhecem bem. Além da força de vontade, nosso próprio corpo parece conspirar contra a perda de peso após algumas semanas. No entanto, especialistas têm utilizado estratégias que permitem pausas controladas na dieta, não apenas para aliviar a pressão psicológica, mas também para driblar adaptações fisiológicas que dificultam o emagrecimento.
O nutricionista funcional e responsável técnico pela Growth Supplements, Diogo Cirico, explica que nosso corpo é programado para sobreviver, e ele interpreta a redução de calorias como um sinal de escassez. Quando isso acontece, todo o sistema hormonal se reorganiza para economizar energia. “Há um aumento da Grelina, o hormônio da fome, enquanto a Leptina, responsável pela saciedade, diminui. Ocorrem ainda alterações na insulina, glicose e outros hormônios digestivos. Na prática, a pessoa sente mais fome, menos saciedade após comer, indisposição e até queda no desempenho físico”, detalha Cirico.
Esses sintomas geralmente aparecem após o período de 3 a 6 semanas de dieta, sinalizando que o corpo está se adaptando à restrição. É nesse momento que estratégias como o Refeed e a Refeição Livre entram em cena para reduzir esses sintomas e manter a consistência do plano alimentar.
Embora ambos representem pausas na restrição, funcionam de formas diferentes. O Refeed é um aumento controlado de carboidratos, mantendo o consumo calórico igual ou pouco acima do gasto diário. “É mais usado por atletas e praticantes avançados de musculação, pois reabastece o glicogênio muscular, melhora os níveis de leptina e insulina, e mantém a intensidade dos treinos e a massa muscular”, detalha o nutricionista.
Já a Refeição Livre oferece flexibilidade para comer alimentos desejados, sem controle específico. Com foco no prazer de consumir alimentos saborosos, é mais comum para o público em geral. No entanto, exige cuidado, pois sem controle, é fácil consumir calorias demais e anular todo o déficit calórico criado durante a semana.
Refeed ou Refeição Livre?
“Não existe fórmula mágica”, alerta a nutricionista. A melhor estratégia depende de vários fatores individuais: seu nível de restrição calórica, quantidade de carboidratos na dieta, condição física e perfil hormonal.
Para atletas e pessoas com foco em desempenho, o Refeed é mais indicado. Nesse caso, deve-se aumentar os carboidratos (Arroz, macarrão, batatas, mandioca, pães e panificados em geral) de forma controlada para atingir o gasto calórico diário ou pouco mais. “Não faz sentido fazer refeed usando alimentos pobres em carboidratos, como sashimi e churrasco, se o objetivo é repor glicogênio”, esclarece a especialista.
Para quem busca flexibilidade, a Refeição Livre pode funcionar, mas exige consciência das quantidades. Um exemplo prático ilustra bem o cuidado necessário: se você criou um déficit de 300 calorias por dia de segunda a sábado (total de 1800 calorias), mas no domingo comeu churrasco, maionese e bebeu cerveja sem controle, facilmente ultrapassará essas 1800 calorias, zerando seu resultado semanal.
Quanto mais tempo de dieta e maior a restrição de calorias e carboidratos, mais fortes serão as adaptações do seu corpo. Refeed e Refeição Livre são ferramentas para contornar essas respostas, mas devem ser usadas de forma inteligente e alinhadas aos objetivos individuais. “Quando bem planejadas e compreendidas em seu papel fisiológico e psicológico, essas estratégias podem ser grandes aliadas na manutenção da dieta e na busca por resultados duradouros. Afinal, a melhor dieta é aquela que você consegue seguir a longo prazo, e incluir momentos de flexibilidade pode ser justamente o que faltava para transformar uma dieta temporária em um estilo de vida sustentável”, conclui o especialista.